Novas observações dos anéis externos de Urano indicam que o sistema do planeta pode ter mais luas do que as 29 já conhecidas. Os dados revelam características enigmáticas dessas estruturas e sugerem que pequenos satélites naturais, ainda não identificados, podem ser responsáveis pela formação de parte dos anéis.
Os resultados apontam que as partículas que formam os dois anéis mais externos de Urano têm origens distintas e provavelmente são geradas por pequenas luas com naturezas diferentes. Indícios adicionais sugerem a existência de outros corpos ainda não descobertos orbitando o gigante de gelo.
Uma equipe liderada por Imke de Pater, da Universidade da Califórnia em Berkeley, utilizou dados infravermelhos do Telescópio Espacial James Webb, combinados com observações anteriores do Hubble e do Keck, para produzir o primeiro espectro completo de refletância dos anéis. Isso revelou diferenças de cor e forneceu pistas sobre suas origens.
“Ao decodificar a luz desses anéis, podemos rastrear tanto a distribuição do tamanho de suas partículas quanto sua composição, o que lança luz sobre suas origens”, afirmou de Pater. As luas de Urano têm nomes de personagens das obras de William Shakespeare e de um poema de Alexander Pope, uma tradição iniciada por John Herschel.
O espectro de refletância indica que o anel mu é composto principalmente por partículas de gelo de água, semelhante ao anel E de Saturno. As partículas do anel mu foram associadas à lua Mab, um pequeno satélite irregular. Por outro lado, o anel nu apresenta uma composição mais “suja”, com 10% a 15% de compostos orgânicos ricos em carbono.
Essas características sugerem que o material do anel se origina de poeira liberada por impactos de micrometeoritos e colisões entre pequenos corpos rochosos ainda não identificados. De Pater comentou sobre a diferença na composição dos corpos progenitores que originam esses anéis.
Há indícios de que o brilho do anel mu esteja mudando, embora o significado desse fenômeno ainda não seja compreendido. Cientistas acreditam que respostas mais definitivas poderão vir de futuras missões espaciais a Urano, que já estão em planejamento, dependendo da disponibilidade de financiamento.
O retorno a Urano foi classificado como uma prioridade máxima na mais recente pesquisa decenal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Os resultados do estudo foram publicados no dia 16 de abril no periódico Journal of Geophysical Research: Planets.
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