O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta sexta-feira (7) a determinação para que a Polícia Federal (PF) avalie a existência de indícios de crimes relacionados às chamadas "emendas PIX". Essa ação se baseia em um relatório técnico enviado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao STF em 31 de julho de 2026, que revelou graves irregularidades e prejuízos ao erário.
Dino enfatizou que, apesar das tentativas anteriores de aumentar a transparência, os dados atuais indicam a "persistência de um estado de inconstitucionalidade". O ministro destacou que o Diretor-Geral da PF deve priorizar a análise dos casos onde o TCU já detectou danos diretos aos cofres públicos.
O Plano Especial de Auditoria do TCU revisou 100 transferências especiais, direcionadas a 74 entes federativos entre 2020 e 2024, totalizando R$ 198,1 milhões em recursos. Os auditores categorizaram os problemas encontrados em quatro grupos principais:
O relatório também destacou vulnerabilidades na plataforma Transferegov.br, que permite a aceitação de informações genéricas e a alteração irrestrita de metas nos planos de trabalho.
Além da investigação geral, Dino solicitou que a PF se manifeste sobre denúncias envolvendo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A suspeita, levantada pelo deputado Gustavo Gayer, menciona emendas do deputado Lindbergh Farias destinadas à compra de alimentos, alegando uso indevido de recursos para adquirir produtos de cooperativas fora do estado de origem do parlamentar.
O deputado Lindbergh e a Câmara dos Deputados terão um prazo de 10 dias para se pronunciar. O ministro também estabeleceu prazos para outros órgãos:
Dino reiterou a urgência em adequar as emendas individuais aos padrões constitucionais de transparência e rastreabilidade, assegurando que os recursos públicos realmente beneficiem a população.
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