Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) uma investigação sobre o plano da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações de Donald Trump nas redes sociais. Este pedido foi formalizado em uma carta obtida pela Reuters.
A Trump Media é a empresa responsável pela Truth Social, plataforma social criada por Trump. Recentemente, a companhia anunciou um novo serviço chamado Truth API, que oferece a corretoras acesso mais rápido a publicações das dez contas mais influentes da rede, incluindo a do ex-presidente.
A carta dos senadores intensifica a pressão sobre o produto e sobre empresas de Wall Street que possam ter contratado o serviço. Especialistas do mercado alertam que essa iniciativa pode envolver riscos legais e regulatórios significativos.
Warren e Schiff afirmaram que isso representa um "abuso escandaloso do cargo de presidente para benefício pessoal," que prejudica investidores comuns e compromete a integridade do mercado, enquanto favorece Wall Street e outros grupos privilegiados.
A SEC, através de seu porta-voz e do presidente Paul Atkins, confirmou o recebimento da carta, porém não ofereceu comentários sobre o caso. A Casa Branca, por sua vez, redirecionou os questionamentos para a Trump Media, que ainda não se manifestou.
Relatos indicam que a Trump Media pode cobrar até US$ 100 mil mensais pelo acesso ao Truth API. As publicações de Trump têm o potencial de impactar o mercado financeiro, e o acesso rápido a essas informações pode beneficiar corretoras e fundos de investimento.
Trump, que detém cerca de 41% da Trump Media através de um fundo gerenciado por seus filhos, pode lucrar com esse novo modelo de negócios. Os senadores destacam que o Truth API é um exemplo claro da intersecção entre os interesses empresariais de Trump e suas responsabilidades como presidente, levantando sérias dúvidas éticas.
Embora o acesso antecipado a dados não seja incomum no setor de tecnologia, especialistas em ética ressaltam que, neste caso, as publicações de Trump podem conter informações relevantes ao público relacionadas ao cargo presidencial, o que exigiria uma divulgação mais ampla e simultânea.
Além disso, os senadores lembraram que Trump já usou a Truth Social para recomendar ações de empresas como Citigroup, Intel e Palantir, e alertaram que a venda de acesso antecipado a essas informações pode aumentar o risco de uso de informação privilegiada e comprometer a confiança do investidor no mercado.
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