O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodriguez, e a ex-deputada opositora Dinorah Figuera foram protagonistas da abertura do diálogo nacional em Caracas, no dia 6 de agosto de 2026. O evento, mediado pelos Estados Unidos, marca o início de negociações que visam facilitar uma transição política e a realização de eleições no país.
Essas conversas surgem após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação liderada pelos EUA, há sete meses. Desde então, a presidente interina Delcy Rodríguez tem governado sob pressão internacional. Curiosamente, a líder da oposição, María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, não está presente nas negociações.
A reunião ocorreu no Centro de Convenções da base militar de La Carlota e teve acesso restrito apenas a fotógrafos. As delegações se atrasaram para iniciar as discussões e, até o momento, não foram feitas declarações à imprensa. A equipe governista é chefiada por Jorge Rodríguez, enquanto Dinorah Figuera lidera a oposição.
Rodríguez compartilhou em sua conta no Telegram que o diálogo começou com ex-deputados da Assembleia Nacional de 2015, enquanto Figuera destacou a importância do processo para a democracia e a reinstitucionalização do país.
Figuera, que retornou à Venezuela após um período de exílio na Espanha, expressou que as negociações visam promover mudanças no Tribunal Supremo de Justiça, no Conselho Nacional Eleitoral e garantir os direitos civis e políticos dos cidadãos venezuelanos.
O Departamento de Estado dos EUA celebrou o início do diálogo, considerando-o uma oportunidade única. A estratégia americana para a Venezuela está dividida em três etapas: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política. Este momento gerou expectativas entre opositores e familiares de presos políticos.
Juan Pablo Guanipa, aliado de Machado, afirmou que agora existe um garantidor para assegurar o cumprimento das promessas do governo. Ele expressou a esperança de que todos os presos políticos sejam libertados e que um cronograma eleitoral, incluindo a eleição presidencial, seja estabelecido.
Enquanto isso, a aproximação entre a Venezuela e os EUA provocou reações da esquerda venezuelana, que critica a mudança de postura do chavismo após décadas de retórica antiamericana. Em recentes manifestações, militantes demonstraram seu descontentamento com palavras de ordem e queimaram bandeiras dos EUA.
Durante as negociações, familiares de presos políticos pediram que Figuera priorizasse a libertação de seus entes queridos, enfatizando que esses não devem ser usados como moeda de troca. Mayra Morales, que participa de uma vigília em frente à embaixada dos EUA em Caracas, reivindica a intervenção do diplomata americano pela libertação de seus familiares.
Deixe seu e-mail abaixo para garantir acesso a tutoriais exclusivos, novos conteúdos do projeto e nossos lançamentos em primeira mão.