No dia 6 de outubro, o governo argentino de Javier Milei enfrentou mais uma derrota no Senado, excluindo da votação um capítulo de um projeto que permitiria a venda de terras em áreas afetadas por incêndios florestais. Esta é a segunda derrota da semana para a Casa Rosada.
Além disso, um capítulo que ampliava a possibilidade de venda de terras para estrangeiros também foi retirado após pressão popular. Ambos os projetos fazem parte de um pacote denominado Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada.
Apesar das derrotas, a Casa Rosada conseguiu aprovar duas mudanças significativas com 37 votos a favor e 33 contra: uma que facilita despejos de inquilinos inadimplentes e outra que torna mais difícil as expropriações pelo Estado. A líder do governo no Senado, Patricia Bullrich, atribuiu as derrotas ao tempo excessivo de tramitação devido a um escândalo de corrupção envolvendo o ex-chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e à Copa do Mundo.
“50% do projeto de lei foram aprovados, enquanto os outros 50% não. Decidimos recuar nas questões em que sentimos não ter os votos necessários”, declarou Bullrich em entrevista ao canal argentino TN.
Atualmente, a legislação argentina proíbe a venda de áreas de bosques ou vegetação úmida afetadas por incêndios por 60 anos. Para áreas destinadas à agropecuária e regiões semiurbanas, a proibição é de 30 anos. Esta lei de 2020 visa inibir o uso de incêndios criminosos para especulação imobiliária.
O governo argumenta que os prazos são “extremamente prolongados” e limitam o direito à propriedade, alegando que a legislação não tem alcançado a proteção ambiental desejada.
Movimentos sociais e ambientais criticam a proposta, alertando que ela pode fragilizar a proteção ambiental. Hernán Hougassian, professor de agronomia da Universidade de Buenos Aires, afirmou que a mudança permitiria que grandes proprietários incendiariam florestas nativas para realizar empreendimentos imobiliários.
Regiões da Patagônia foram devastadas por incêndios em 2026, queimando 17,5 mil hectares, uma área maior que o município de Niterói (RJ). A votação no Senado foi marcada por protestos e repressão policial, com relatos de violência e ferimentos em jornalistas durante as manifestações.
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