O fenômeno climático conhecido como Super El Niño está previsto para causar um impacto considerável na inflação dos alimentos no Brasil em 2027, conforme um estudo da MB Associados, divulgado pela GloboNews. O relatório indica que a inflação alimentar pode variar entre 7,5% e 9,5% ao final de 2027, podendo alcançar até 11% nos meses críticos entre agosto e novembro.
Os principais vilões dessa alta de preços serão o feijão e o arroz, cujas produções já estão sendo afetadas por chuvas intensas e enchentes. Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o impacto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá ser de até 0,9 ponto percentual em 2027.
Vale ainda destaca que, historicamente, os efeitos dos fenômenos climáticos nos preços dos alimentos aparecem entre nove a dez meses após seu pico, que é esperado para outubro ou novembro. Os hortifrutigranjeiros deverão ser os primeiros a sentir a pressão de aumento de preços, especialmente nas regiões mais afetadas pelas chuvas.
Além disso, a pressão nos preços deve se estender aos grãos e, posteriormente, às proteínas animais, incluindo a carne bovina, ao longo do segundo semestre de 2027. O impacto do Super El Niño poderá também afetar o transporte rodoviário, especialmente se houver seca no Norte e Nordeste do Brasil, dificultando o escoamento pela navegação nos rios.
No último evento de El Niño, os custos de transporte aumentaram entre 10% e 22% devido a gargalos logísticos. Vale menciona que o agronegócio já enfrenta outros desafios, como a inadimplência crescente e o impacto da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e fertilizantes. O cenário é preocupante e indica que o consumidor poderá sentir os efeitos em breve, com um ano desafiador pela frente para a agricultura.
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