Os Estados Unidos suspenderam suas operações de ataque ao Irã devido à falta de mísseis, conforme informações divulgadas pela agência Reuters e um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). A utilização significativa desse arsenal durante conflitos recentes gerou preocupações sobre a capacidade de resposta americana em potenciais confrontos futuros.
A reportagem da Reuters, publicada no dia 4, aponta que os EUA esgotaram praticamente todo o estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante as operações contra o Irã. Os mísseis em falta incluem principalmente os Sistemas de Mísseis Táticos (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM).
Dados do CSIS também revelam que os estoques de mísseis Patriot e THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), usados para defesa contra ataques, foram severamente reduzidos. Além disso, um terço do estoque de mísseis Tomahawk, uma das principais armas de ataque dos EUA, foi utilizado.
Segundo o The Washington Post, a escassez de mísseis deixou o presidente Donald Trump preocupado, levando-o a questionar o secretário de Guerra sobre a situação. Apesar de Trump ter negado as informações e afirmado que os EUA possuem enormes quantidades de munições, o CSIS estima que o arsenal de mísseis Tomahawk caiu em 33% desde o início da guerra contra o Irã.
A situação é alarmante, especialmente em relação aos mísseis interceptadores. Antes do conflito, havia 2.330 mísseis Patriot; agora, estima-se que restem apenas cerca de 800. O número de mísseis THAAD também diminuiu, passando de 452 para aproximadamente 250.
O especialista em Ciências Militares, Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, ressalta que essa redução representa uma vulnerabilidade significativa para os EUA, principalmente em um cenário de ataque por parte de países com mísseis balísticos, como China, Rússia e Coreia do Norte.
A reposição desse arsenal não é simples, exigindo investimentos bilionários e meses de fabricação. Um míssil Tomahawk custa cerca de US$ 2,6 milhões, enquanto cada interceptador Patriot gira em torno de US$ 4 milhões.
Com a diminuição dos mísseis interceptadores, os EUA podem enfrentar dificuldades em uma eventual retaliação iraniana. A dissuasão, que antes era uma estratégia esperada, agora parece estar em risco, com os EUA hesitando em atacar o Irã por medo de represálias.
Esse cenário também pode afetar aliados asiáticos, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que poderiam questionar a capacidade dos EUA de protegê-los em uma eventual crise com a China.
Os mísseis Patriot, desenvolvidos na década de 80, são cruciais para a defesa aérea e têm sido atualizados ao longo dos anos. Sua função é interceptar uma variedade de ameaças, incluindo mísseis balísticos, e a falta deles pode comprometer a segurança nacional americana em um cenário de conflito.
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