O bilionário da tecnologia, Elon Musk, não compareceu a uma intimação para um interrogatório na investigação francesa envolvendo a rede social X e seu chatbot de inteligência artificial, Grok. As plataformas estão sob suspeita de abuso de algoritmos e extração fraudulenta de dados, conforme comunicado do escritório do promotor de Paris.
A investigação, que se intensificou recentemente, agora inclui alegações de cumplicidade na distribuição de pornografia infantil e na criação de deepfakes sexuais pelo Grok. Essa situação aumentou as tensões nas relações entre os Estados Unidos e a Europa no que tange à Big Tech e à liberdade de expressão.
A intimação marcada para o dia 20 de abril foi estabelecida em fevereiro, quando a unidade de crimes cibernéticos da promotoria de Paris realizou uma operação em busca de provas no escritório francês da plataforma de Musk, o X. A promotoria declarou que a ausência de Musk e de outros indivíduos intimados não impede a continuidade da investigação.
Embora o comparecimento à audiência fosse obrigatório, ainda não houve um mecanismo eficaz para obrigar Musk, a pessoa mais rica do mundo, a se apresentar. Em julho, Musk já havia negado as acusações, alegando que a investigação era motivada politicamente. O X está sob análise de reguladores de diversos países desde que Musk assumiu a plataforma, anteriormente conhecida como Twitter, em 2023.
Os promotores estão investigando alegações de que os algoritmos do X distorceram o tratamento do conteúdo, extrair dados indevidamente e violaram direitos individuais através de deepfakes sexualmente explícitos. Em um desenvolvimento recente, o Wall Street Journal relatou que o Departamento de Justiça dos EUA enviou uma carta à promotoria de Paris, informando que não cooperaria na investigação, que consideram politicamente motivada.
A promotoría de Paris, por sua vez, afirmou não ter conhecimento da carta e reiterou a independência do Judiciário na França. Musk foi convocado para uma 'entrevista voluntária', um procedimento comum quando as autoridades desejam interrogar um indivíduo sem detenção. Se não comparecer, ele pode ser colocado sob custódia.
A ex-CEO do X, Linda Yaccarino, e outros funcionários também foram intimados para prestar depoimento. Vale ressaltar que a unidade de crimes cibernéticos francesa já havia prendido o fundador do Telegram, Pavel Durov, em 2024, por acusações relacionadas a crime organizado, que ele classifica como 'absurdas'. Durov expressou suas preocupações sobre o uso de investigações criminais para suprimir a liberdade de expressão e a privacidade na França.
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