A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) iniciou, nesta sexta-feira (7), um processo de fiscalização contra o Discord, visando investigar possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes na plataforma. A ação é motivada por um trágico episódio que envolveu a automutilação e o suicídio de uma adolescente de 13 anos.
A ANPD busca verificar se o Discord atendeu às obrigações estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que entrou em vigor em março de 2026. Entre os pontos de investigação, estão:
O Discord terá um prazo de cinco dias úteis para enviar informações à ANPD sobre os mecanismos existentes na plataforma para proteger crianças e adolescentes. Caso irregularidades sejam identificadas, a ANPD poderá exigir mudanças nas práticas da empresa e aplicar multas de até R$ 50 milhões.
A investigação foi iniciada após a morte de uma jovem em Naviraí, Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. A Polícia Civil e o Ministério da Justiça relataram que a adolescente foi coagida a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo, que durou aproximadamente 45 minutos.
Durante a operação, a polícia apreendeu adolescentes suspeitos, que possuíam materiais relacionados ao neonazismo e abuso infantil. O grupo utilizava plataformas como Discord e Telegram para atrair vítimas e disseminar discursos de ódio.
Além da fiscalização da ANPD, representantes do Discord se reuniram com a Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir adequações necessárias na plataforma. A empresa se comprometeu a apresentar um plano até segunda-feira (10) para melhorar a proteção de usuários, especialmente vulneráveis, como mulheres, crianças e adolescentes.
Os representantes do Discord também concordaram em adotar medidas que visam reduzir riscos e proteger seus usuários, conforme exigido pelas normas brasileiras. A AGU considerou a reunião produtiva e aguarda as propostas detalhadas do Discord.
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