As ferramentas de recrutamento baseadas em inteligência artificial (IA) têm gerado preocupações, especialmente entre mulheres de meia-idade que tentam retornar ao mercado de trabalho. Stacey Duguid, de 52 anos, após anos de sucesso em sua carreira no setor de moda, encontrou dificuldades em conseguir um emprego, mesmo após enviar uma grande quantidade de currículos.
Após 16 meses sem sucesso, Stacey decidiu compartilhar sua experiência nas redes sociais, descobrindo que muitas outras mulheres de sua faixa etária enfrentavam problemas semelhantes. Ela acredita que a IA está contribuindo para esse cenário, sugerindo que os algoritmos refletem preconceitos sociais, afetando especialmente aquelas que são mais velhas.
Conversando com mais de 60 mulheres entre 40 e 65 anos, a BBC constatou um padrão: a maioria delas tem décadas de experiência, mas se depara com rejeições automatizadas. Koeyli Jaluka, de 49 anos, que já ocupou cargos de liderança, relatou que, após ser demitida, se candidatou a 442 vagas e recebeu poucos retornos. Afirmou que a ideia de ser considerada 'muito sênior' é um eufemismo para 'velha'.
Anna Cowie, com 52 anos e 30 anos de experiência na publicidade, também está desempregada há quase quatro anos. Ela enfatiza a importância do networking em vez de depender apenas do envio de currículos. Uma abordagem mais humana parece ser mais eficaz.
Embora seja difícil determinar o impacto exato das ferramentas de IA, há um consenso de que elas podem estar prejudicando candidatas mais velhas. Caroline Haines, do grupo Women Pivoting to Digital, destacou que a IA pode não reconhecer as competências que mulheres experientes oferecem, contribuindo para a exclusão dessas profissionais no recrutamento.
Além disso, a IA pode aumentar a automação de empregos, o que representa um risco significativo de perda de postos de trabalho para mulheres até 2035. Um estudo indicou que 68% das mulheres pesquisadas não receberam oportunidades de requalificação em suas empresas.
A advogada Laura Holden, especialista em IA, alertou que muitas empresas não compreendem como essas ferramentas funcionam, o que pode levar a vieses e decisões injustas. Ela citou exemplos de triagem de currículos que podem desconsiderar experiências relevantes e penalizar lacunas de carreira.
O cenário atual mostra que, para muitas mulheres de meia-idade, a luta por um emprego vai além das habilidades e experiências, envolvendo um sistema que pode estar predisposto a desconsiderar seu valor profissional.
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