Na última semana, a China introduziu uma regulamentação estrita que proíbe o uso de "namorados virtuais" baseados em inteligência artificial, com a intenção de combater a dependência emocional e o vício tecnológico. Essa decisão forçou grandes empresas como ByteDance e Alibaba a interromperem essas funcionalidades, levando a uma onda de descontentamento nas redes sociais chinesas.
Usuários expressam sua frustração, alegando que perderam seus "pilares espirituais" e companheiros digitais, que já eram considerados parte da família. O mercado de companhias virtuais na China tem visto um crescimento anual superior a 80%, movimentando mais de R$ 3 bilhões em 2024.
Esse não é um fenômeno restrito à China; um estudo da Common Sense Media revela que quase 75% dos adolescentes americanos já utilizaram parceiros criados por IA para interações pessoais. A Organização Mundial da Saúde alerta que uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta solidão, classificando-a como uma ameaça global à saúde pública.
No episódio recente do podcast O Assunto, a apresentadora Natuza Nery entrevista a doutoranda Laura Hauser, que investiga as relações íntimas entre humanos e inteligência artificial. Laura discute o paradoxo da "tecnoafetividade" e o que ela chama de "quarta ferida narcísica". Ela também alerta sobre a "economia da intimidade", um modelo de negócios lucrativo das grandes empresas de tecnologia que aproveita o vínculo emocional com robôs.
Na abertura do episódio, a psicanalista Carol Tilkian, especialista em relações humanas, também analisa esse fenômeno emergente. O podcast é produzido por uma equipe que inclui Luiz Felipe Silva, Sarah Resende e Carlos Catelan, e já acumulou mais de 168 milhões de downloads desde sua estreia em agosto de 2019, além de 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
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