Ceuta, ainda se recuperando de um enorme afluxo de 72 mil migrantes que chegaram às suas praias em apenas uma semana, está buscando transferir centenas de menores desacompanhados para a Espanha continental. Essa informação foi confirmada por autoridades locais nesta quarta-feira.
A maioria dos migrantes já retornou ao Marrocos, mas cerca de 1.100 menores que chegaram antes e durante essa crise permanecem na região, impossibilitados de serem deportados rapidamente, conforme informado pelo governo local. Muitos deles estão vivendo em condições precárias, alojados em armazéns improvisados ou nas ruas, já que os centros de acolhimento estão superlotados.
Organizações de caridade e grupos comunitários estão se mobilizando para ajudar essas crianças e mulheres grávidas que se encontram desabrigadas. Hamza Sitouni Moreno, um morador local de 40 anos, compartilhou sua experiência ao levar crianças às autoridades, mas enfrentou recusas. Como resultado, ele optou por deixar uma menina dormindo em seu carro por segurança e construiu abrigos temporários para outras crianças, oferecendo comida e cobertores. “Chegaram tantas pessoas... as autoridades não conseguem lidar com isso”, desabafou ele.
Cerca de 75 pessoas perderam a vida durante a tentativa de atravessar a fronteira na semana passada, situação que gerou alarme em toda a União Europeia e trouxe à tona lembranças da crise migratória de 2015-16, quando mais de 1 milhão de pessoas chegaram, principalmente do Oriente Médio.
Embora os governos regionais sejam obrigados a ajudar territórios sobrecarregados em situações de emergência, ainda não está claro se o Partido Popular, de direita, e o Vox, de extrema direita – que governam conjuntamente quatro regiões – aceitarão a realocação dos menores migrantes. Nesta quarta-feira, todos os quatro governos regionais da coalizão indicaram que contestariam qualquer ordem nesse sentido, com o líder do Vox declarando que “nem um euro” do orçamento espanhol deveria ser destinado a esses menores.
Mesmo que as regiões aceitem os menores, especialistas alertam que o processo de identificação e realocação pode levar meses, exigindo entrevistas, relatórios e contato com os países de origem para verificar a possibilidade de devolvê-los às suas famílias. Um advogado que representa organizações humanitárias em Ceuta, que preferiu não se identificar, mencionou que as autoridades estão focadas em registrar menores de 15 anos, mas que pode haver milhares de outros jovens ainda não identificados na cidade.
“Estamos clamando por ajuda e assistência”, disse Juan Jesús Vivas, chefe do governo local de Ceuta, à emissora espanhola RTVE. Essa situação ressalta a urgência de uma resposta humanitária eficaz diante da crise.
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