Uma brasileira, Lorrayne Mavromatis, está processando as empresas do influente youtuber MrBeast, alegando assédio e violação da Lei de Licença Familiar e Médica (FMLA). A ação aponta que a empresa não orientou Lorrayne sobre seus direitos ao solicitar licença-maternidade e a pressionou a trabalhar durante o período de afastamento, incluindo:
Além disso, a funcionária foi demitida menos de três semanas após retornar ao trabalho, o que pode ser considerado uma retaliação, segundo a autora. O processo também alega que ela foi substituída por um homem.
Nos Estados Unidos, não existe uma licença-maternidade remunerada obrigatória em âmbito federal. A FMLA garante até 12 semanas de afastamento sem pagamento, mas apenas para trabalhadoras que atendem a critérios específicos, como ter trabalhado pelo menos 12 meses para o mesmo empregador e em locais com 50 funcionários ou mais.
Por outro lado, no Brasil, a legislação assegura estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, além de uma licença-maternidade de 120 dias, sem perda salarial. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã podem estender essa licença para 180 dias.
A advogada Ana Gabriela Burlamaqui ressalta que, embora a legislação brasileira proteja as mulheres, a estabilidade está ligada à condição de gestante e não à licença-maternidade em si. Demissões após o retorno ao trabalho podem ser vistas como discriminatórias, levando a Justiça do Trabalho a tratar esse tipo de caso sob a perspectiva de discriminação de gênero.
Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias, a trabalhadora pode optar pela reintegração ao emprego ou por uma indenização. A proteção legal busca evitar que a maternidade seja um obstáculo à carreira das mulheres, refletindo a necessidade de condições que possibilitem a conciliação entre maternidade e trabalho.
Dados indicam que mais de 380 mil mulheres enfrentaram demissões após a licença-maternidade em um período de cinco anos, evidenciando a urgência de reformas para garantir os direitos das mães no mercado de trabalho.
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