A morte de Sam Neill, ocorrida na segunda-feira (13), gerou uma onda de homenagens digitais impulsionadas por inteligência artificial. O ator, famoso por seu papel como o paleontólogo Alan Grant na franquia 'Jurassic Park', foi virtualmente 'recriado' em cenários como um fantasma entre dinossauros.
Essa prática de recriar imagens de pessoas falecidas, conhecida como 'necromancia digital', levanta importantes questões éticas. Especialistas, como Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, apontam que essa manipulação pode transformar o luto em um produto, criando 'fantoches digitais' de indivíduos que não podem mais se defender.
Recentemente, o uso de IA para homenagear falecidos ganhou destaque, como no caso de Gabriel Ganley, um fisiculturista de 22 anos. Além disso, a Volkswagen gerou controvérsia ao usar tecnologia de deepfake para recriar a cantora Elis Regina em um comercial. A repercussão levou órgãos reguladores a investigarem se tais práticas violam diretrizes publicitárias.
O fenômeno da 'grief tech' está em ascensão, com empresas criando versões digitais de pessoas falecidas para interação de amigos e familiares. Contudo, essa prática suscita preocupações sobre a exploração da dor alheia e a falta de controle que os familiares têm sobre a representação de seus entes queridos.
Kasket sugere a criação de um modelo de direitos que proteja a imagem e a memória de pessoas falecidas. Ela mesma tomou medidas preventivas, incluindo uma cláusula em seu testamento contra a transformação em um 'bot'. A exploração das emoções humanas e a comercialização do luto são questões que demandam uma reflexão urgente.
À medida que a tecnologia avança, a forma como lidamos com a morte e o luto também deve evoluir. É fundamental encontrar um equilíbrio que respeite a memória dos falecidos e a dor dos enlutados, sem transformar o processo de luto em um produto de consumo.
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